a cenoura na vara de pesca
do coelho faminto que corre
na esteira do mundo que engana
antes de saciar sua fome
o coelho de cansaço morre

e assim como todo babaca
vendendo sua vida barata
engomado de terno gravata
iludido no banco de couro
diluído em busca de ouro

desossado pela prestação
parcelando comida em cartão
gasolina pode faltar não
mesmo que precise faltar pão
coxão mole e file mignon

na tv de led 4k
vendo a vida se esvaziar
tendo como exemplo e padrão
uma vida só de ilusão
rede globo plin plin de faustão

e na lida do cotidiano
se matando assim ano após ano
na esperança vã de um dia
desfrutar dos prazeres da vida
encontrar a aposentadoria

essa peça essa engrenagem
que nos vende e nos faz chantagem
invertendo o princípio primeiro
se não tens nada és nesse mundo
se discordas tu és vagabundo

as ações da bolsa de valores
que na crise despencam horrores
quero ver mesmo se de verdade
se quiser passar neles o rodo
haverá dinheiro para todos?

As angustias e as aflições
As doenças mentais na crescente
Essa gula pelos milhões
Essa falta de seres descentes
Me digas de que lado te sentes?

Esses números mirabolantes
As meninas lindas semi nuas
Os vendedores ambulantes
Vendem china em todas as ruas
há quanto tempo não olhas a lua?
Joguem as magoas amargas ao mar
Amargas todas as magoas são
Jogue-as ao mar ou senão um mar de
Magoas inunda teu coração

Fossem todas coisas belas como teus vermelhos lábios
Nem tanta maldade aos maus nem a sapiência aos sábios
Porque tanta beleza não carece explicação
Como versos repetidos dentro da mesma canção
Beleza assim transcende beleza assim se basta
Surge a felicidade onde melancolia era vasta
Nossa escola foi na vida
 O estudo foi intenso
 Aprendemos a usar
 Regra de três e bom senso
 Não conhecemos a Europa
 Não fizemos intercambio
 Não curtimos Mickey mouse
 Nunca fomos pra Orlando
 Mas queremos deixar claro
 Aqui ninguém ta chorando
 Se a vida nos bateu
 Foi pra nos deixar mais forte
 Desde pequeno ligado
 Sem temer as treta ou a morte
 O que queremos dizer
 Expressar o sentimento
 É fazer você entender
 as vezes é bom o sofrimento
 Sem os calos das enxadas
 Nossas mãos iam ser fracas
 Sem as pauladas da vida
 Nós seriamos babacas
 Sem as pedras no caminho
 Íamos andar arrastando
 Mas seguimos o caminho
 Pés altos, sempre marchando
 Mantendo a disciplina
 Entendendo os movimentos
 Sempre de olhos abertos
 Ganhando cada momento
 As dores que nós passamos
 Foram só pra dar valor
 Entender que nessa vida
 Ninguém escapa da dor
 Mas seguimos na estrada
 Sempre de cabeça erguida
 Mesmo quando os otários
 Põe os dedo na ferida
 Nossas chagas são abertas
 Ninguém passou mertiolate
 Ta pensando que foi fácil?
 Que o sabor foi chocolate?
 Não
 Tamo aqui nessa quebrada
 Para dar o nosso grito
 Pra mostrar que é possível
 Vencer e fazer bonito
 Mesmo com as desavenças
 Mesmo com nossas passagens
 Porque não vai ter mudança
 Se não tivermos bagagem